Sofrer por sofrer

Parti. Quis te deixar abandonada
às lembranças do amor que nos prendeu.
Trouxe comigo, na alma torturada,
um ciúme atroz ciumentamente meu…

Fugi… fuga cruel, desesperada,
quando supus que nosso amor morreu…
Fuga inútil, se ainda és a minha amada,
se continuo inteiramente seu!

Não, não me livro deste amor nefasto,
nem dessa angústia, dessa luta, desse
ciúme que aumenta quanto mais me afasto…

E hoje concluí, fugindo de meus passos,
que sofrer por sofrer, antes sofresse
como sempre sofri… mas nos teus braços!

( Poema de JG de Araujo Jorge extraído
do livro Festa de Imagens – 1948 )

O Gondoleiro do Amor

O gondoleiro do amor
Barcarola
Dama negra

Teus olhos são negros, negros,
Como as noites sem luar…
São ardentes, são profundos,
Como o negrume do mar;

Sobre o barco dos amores,
Da vida boiando à flor,
Douram teus olhos a fronte
Do Gondoleiro do amor.

Tua voz é a cavatina
Dos palácios de Sorrento,
Quando a praia beija a vaga,
Quando a vaga beija o vento;

E como em noites de Itália,
Ama um canto o pecador,
Bebe a harmonia em teus cantos
O Gondoleiro do amor.

Teu sorriso é uma aurora,
Que o horizonte enrubesceu,
- Rosa aberta com biquinho
Das aves rubras do céu.

Nas tempestades da vida
Das rajadas no furor,
Foi-se a noite, tem auroras
O Gondoleiro do amor.

Teu seio é vaga dourada
Ao tíbio clarão da lua,
Que, ao murmúrio das volúpias,
Arqueja, palpita nua;

Como é doce, em pensamento,
Do teu colo no langor
Vogar, naufragar, perder-se
O Gondoleiro do amor!? …

Teu amor na treva é – um astro,
No silêncio uma canção,
É brisa – nas calmarias,
É abrigo – no tufão;

Por isso eu te amo, querida,
Quer no prazer, quer na dor,…
Rosa! Canto! Sombra! Estrela!
Do Gondoleiro do amor.

Castro Alves

?

Nossa tem tempo que não escrevo… se passaram tantas coisas, natal, fim de ano, meu aniversário (dia 10), minha vida militar ^^’ e etc…

E também não to com muito gás pra escrever agora… Só não quero que desativem meu blog por falta de postar.

Qlqer dia eu posto mais coisas, se bem que ninguém lê isso mesmo ^^’

John Piper – Teologia da Prosperidade (Legendado)

Você é Tudo

Eu cruzo a noite
Prá te ver
Não vejo a hora
De te envolver
Com tudo que eu tenho
Prá falar…

É minha a luz na escuridão
Nos cruzamentos, toda atenção
E agora o carro
Cisma de enguiçar…

Já não sei de nada
Mas você é tudo
E me deixou a fim de vez
Tiros na calçada
E no telefone, alguém me diz:
-Por favor, tente outra vez…

Eu ía te contar
Tudo que sinto há tanto tempo
Se é miragem, você vai dizer
Irá se revelar
Um mar de sentimentos
Ainda hoje eu vou te ver

Composição: Jorge Vercilo

Pensando Nela

Neste instante em que escrevo, estou pensando nela,
Longe de mim, no entanto, em que estará pensando?
– quem sabe se a sonhar, debruçada à janela
recorda o nosso amor, a sorrir, vez em quando…

Ou terá tal como eu, esse ar de alguém que vela
Um sonho que estivesse em nosso olha flutuando?
Ou quem sabe se dorme, e adormecida e bela
O luar lhe vai beijar os lábios, suave e brando…

Invejaria o luar!… É tarde, estou sozinho,
Ela dorme talvez, e não sabe que ao lado
Do seu leito, a alma ronda de mansinho…

Nem vê meu pensamento entrar pela janela
E ir na ponta dos pés, murmurar ajoelhado
Este verso de amor que fiz, pensando nela!

J. G. de Araujo Jorge

Quando você voltar

Vai, se você precisa ir
Não quero mais brigar esta noite
Nossas acusações infantis
E palavras mordazes que machucam tanto
Não vão levar a nada, como sempre
Vai, clareia um pouco a cabeça
Já que você não quer conversar.
Já brigamos tanto
Mais não vale a pena
Vou ficar aqui, com um bom livro ou com a TV
Sei que existe alguma coisa incomodando você
Meu amor, cuidado na estrada
E quando você voltar
Tranque o portão
Feche as janelas
Apague a luz
e saiba que te amo…

Colocar a cabeça no travesseiro e durmir com a sensação de que valeu a pena o dia vivido é um privilégio para poucos.

Morte

Pior que a morte é a ausência da vida…

A nossa vida se vai não quando a morte chega mas quando a alma perde a capacidade de celebrar.

A Espera

Ela tarda… E eu me sinto inquieto, quando
julgo vê-la surgir, num vulto, adiante,
- os lábios frios, trêmula e ofegante,
os seus olhos nos meus, linda, fitando…

O céu desfaz-se em luar… Um vento brando
nas folhagens cicia, acariciante,
enquanto com o olhar terno de amante
fico à sombra da noite perscrutando…

E ela não vem…Aumenta-me a ansiedade:
- o segundo que passa e me tortura,
é o segundo sem fim da eternidade…

Mas eis que ela aparece de repente!…
- E eu feliz, chego a crer que igual ventura
bem valia esperar-se eternamente!…

J. G. de Araujo Jorge

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